sexta-feira, 1 de julho de 2011

Meditação

Céu nublado,
Pensamentos que vêm e vão,
E o coração amargurado.
Hora da meditação,
Lembranças sem sentido,
Mente vazia.
Quem sou eu?
O que faço aqui?
O que há em minha alma?
É um imenso deserto.
E eu caminho.
Caminho e dou voltas,
Não ouço nada,
Não sinto nada.
É o deserto assim mesmo.
Deserto cansado, demorado,
Como um coração
Que nunca foi amado.
Não é tristeza,
Não é melancolia,
Não é nada,
Nada não.
É o momento sublime
Da meditação.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A viuvinha

Zenith Andersen
Manhã de um domingo ensolarado,
Convidando para um passeio na praia,
Ou uma meditação à beira da piscina.
A segunda opção me pareceu melhor.

Levei os jornais para a pérgola.
Li as notícias do dia, mas,
Logo as abandonei: violências,
Corrupções, frustrações, misérias,
Que me deprimiram.

Foi então que vi no deck da piscina,
Uma “viuvinha” – pássaro pequenininho,
Saltitante, que sempre aparece,
Quando aqui me sento,
Para ler ou meditar.

Minha coleguinha,
Não saia daí,
Vamos conversar.

A viuvinha parou e olhou-me,
Como se estivesse entendendo
Que eu também era uma viuvinha!

Falei então:
Nossos companheiros nos deixaram sós!
O que fazer?
Não sei se você também tem, como eu,
Uma lágrima descendo fácil, fácil...
Recordações, tristezas, saudades.

Saudades sim!
Tristezas não!
O dia está lindo,
O sol brilhando,
Por que chorar?

A viuvinha continuou saltitante,
Voltando várias vezes.

Resolvi dar um mergulho e nadar.
Começando a rotina do dia
Com alegria no coração.

A viuvinha foi embora,
Como se dissesse:
“Pronto. Cumpri a minha missão.”


(Todos os conteúdos desse BLOG estão registrados pela autora, Zenith Andersen, e fazem parte de seu próximo livro: "Estados de Espírito")

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Carta a uma amiga enferma

Zenith Andersen

Tarde calma e serena.
Penso em você no seu leito de enferma,
Rodeada de pessoas amigas,
De seu marido dedicado e fiel,
De seu marido que muito a ama.
E eu aqui,
Sentada na minha cadeira,
Na varanda da minha casa,
Contemplando esse belo lago,
Plácido e azul.
Sinto um enorme vazio em meu peito,
Um gosto amargo em minha boca...
Estou só.
Sem carinho,
Sem afeto,
Sem amor...
E nesta solidão eu medito:
Quem de nós duas,
neste momento,
estará mais infeliz?

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Felicidade

Zenith Andersen
Felicidade
É um pijama de flanela
Em noite fria
É um chazinho com torradas
E doce mel
É a poltrona macia
É o livro ansiado
É o chinelo velho
É  a música suave
É a tranquilidade
É a paz...
Felicidade
É a cama aconchegante
É a coberta macia
É o calor do seu corpo...
Felicidade
É você...

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sexta-feira, 25 de março de 2011

O Cansaço

Zenith Andersen
Tarde morna de verão,
Preguiça na alma,
Mal estar no coração.

Uma consulta a um clínico
Seria a solução!

Consultório repleto,
Atendimento por hora de chegada.
Enfim a minha vez:

Que visão maravilhosa!
Aqueles olhos verdes me encantaram!
E, antes da clássica “anamnese”
Fui logo falando:

“O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.”

E para minha surpresa, o médico, sorrindo, continuou:

“A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas -”

Rimo-nos muito da coincidência!
Gostarmos ambos do mesmo poeta:
Fernando Pessoa!

E em particular
Do mesmo heterônimo:
Álvaro de Campos!

E assim conversando...
Outras afinidades surgiram...
Não! Essas não contarei -
Direi apenas que
Não me curei do meu
Cansaço!

(Todos os conteúdos desse BLOG estão registrados pela autora, Zenith Andersen, e fazem parte de seu próximo livro: "Estados de Espírito")

segunda-feira, 21 de março de 2011

Migalhas de amor

Zenith Andersen
Essas migalhas de amor
Não me pertencem...
Quando teus olhos azuis
Me fitam,
Não é a mim que fitam...
Quando me tocas,
Não tocas a mim...
Se me abraças,
Não é a mim que abraças...
Se me possuis,
Não te possuo...
Essas migalhas de amor
Não me  pertencem...


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segunda-feira, 14 de março de 2011

Solidão a dois

Zenith Andersen
Não há mais diálogo entre nós.
Os planos, a alegria, os interesses...
Tudo acabou,
Como num passe de mágica.
De repente acabou:
Os passeios de mãos dadas,
O afago carinhoso,
Tudo acabou...
Mas se ao menos restasse
A amizade,
A lembrança dos momentos bons,
A compreensão...
Se a amargura não chegasse,
Se uma ternura, pequena até,
Restasse...
Ainda poderia, o amor, sobreviver...
Poderia esperar...
Quem sabe o tempo,
Apagasse esta amargura,
Este desencanto,
Esta solidão a dois...


(Todos os conteúdos desse BLOG estão registrados pela autora, Zenith Andersen, e fazem parte de seu próximo livro: "Estados de Espírito")